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Mostrando postagens de junho, 2010

"Pan" e "Circum"

Entre as mudanças introduzidas na língua portuguesa pelo novo acordo ortográfico, uma peculiaridade da escrita é revelada pela regra do uso do hífen nas palavras começadas pelos prefixos “pan” e “circum”. Vejamos como ficou a regra: 1. Usa-se o hífen quando a palavra começar com o prefixo “pan” ou “circum”, seguidos por “h”, “m”, “n” ou vogal: • “pan-hispânico”, “pan-marítimo”, “pan-negritude”, “pan-americano”, “circum-hospitalar”, “circum-murado”, “circum-navegar”, “circum-ambiente” 2. Nos demais casos, não se usa o hífen: • “circumpolar”, “pancontinental” Eis a curiosidade: Nos casos em que o prefixo “pan” anteceder uma sílaba começada em “p” ou “b”, a regra de que antes de “p” e “b” usa-se “m” obriga a modificar a grafia do prefixo. Assim: • “pambrasileiro”, “pamprocessual” Do mesmo modo, quando o prefixo “circum” anteceder uma sílaba que obriga ao uso do “n” (pois só se usa “m” antes de “b” ou “p”), também se deve modificar a grafia do prefixo: • “circunlunar”

O uso da letra maiúscula em nomes de obras

Geralmente, sabe-se com alguma facilidade quando empregar letras maiúsculas ou minúsculas. Só para lembrar, o uso das minúsculas é a regra, devendo-se iniciar uma palavra com letra maiúscula se for um nome próprio ou se estiver no começo da frase. É uma regra simples. Entretanto, há alguns casos que provocam dúvidas sobre o uso das maiúsculas. Essas dúvidas, geralmente, estão associadas a duas coisas: ou não se sabe se a palavra em questão é um nome próprio, ou não se sabe ao certo o que diz a convenção a esse respeito. Este último caso, por exemplo, é o da regra sobre a citação de títulos de livros, jornais e revistas. A questão do uso das maiúsculas em nomes de obras e publicações é complexa, havendo duas normas quanto ao seu uso em citações bibliográficas e uma importante exceção à regra que adotamos. Pela norma das línguas germânicas (o inglês, por exemplo), o uso das maiúsculas depende da classe a que pertencem as palavras que formam o nome da obra. Assim, além da primeira l...

Crase e mudança de significado

O correto é “voltar a fita” ou “voltar à fita”? Depende. Se você tiver um aparelho de DVD, por exemplo, dificilmente vai se preocupar com fitas VHS. Em todo caso, se uma frase sua tiver por objeto uma fita, você fará uso da crase ou não? Depende!   Uma das maneiras mais simples de analisar o uso da crase é substituir o substantivo feminino por um masculino. Imagine que você está assistindo a um filme, não importa se em VHS, DVD ou BD. Nesse caso, você diria “voltar o filme” ou “voltar ao filme”?   Se você dissesse “voltar o filme”, “voltar” teria o sentido de “retroceder”. Aqui, o verbo é transitivo direto e a frase expressa a ação de recuar o filme para um ponto anterior. Ou seja, pressionar o botão “rewind”.   Ao dizer “voltar ao filme”, o verbo é transitivo indireto e significa “retornar”. Assim, estávamos assistindo a um filme e o voltamos para analisar uma cena específica, o que rendeu uma acalorada discussão; agora é o momento de parar a conversa e retornar ao...

Marcas de revisão

O Microsoft Word possui uma ferramenta simples e prática que destaca no texto original as marcas de revisão e permite ao autor aceitar ou rejeitar as alterações feitas pelo revisor.   Caso você use o Word 2003, para usar as ferramentas de revisão basta clicar no menu “Exibir”, clicar na opção “Barra de ferramentas” e selecionar a barra de “Revisão”. Caso você use o Word 2007, as ferramentas aqui descritas estão no menu “Revisão”.   Caso você queira alterar algo no texto de modo que essa alteração apareça marcada, basta selecionar a opção “controlar alterações” na barra de revisão. Caso você não queira que as suas alterações apareçam marcadas, basta desselecionar o botão “controlar alterações”.   Para visualizar no texto as marcas de revisão, você deve selecionar, na barra de revisão, a opção “mostrar marcação na exibição final”. Para visualizar o texto original (sem as alterações), selecione a opção “original”. Para visualizar o modo como o texto ficará depois de re...

"Posto que"

É corrente o uso da expressão “posto que” como sinônima de “visto que”. Assim: (1) “Demorei a chegar, posto que o trânsito estava carregado.” Além do erro de concordância (o verbo “estar” deveria ser flexionado no subjuntivo: “estivesse”), a frase acima apresenta um erro lógico. Ou, no mínimo, revela uma mentira bem contada. Como conjunção, “posto que” transmite a ideia de dois fatos em contradição, embora a contrariedade não seja suficiente para impedir que ambos ocorram. “Posto que” é, assim como “embora”, uma conjunção concessiva. “Concessão”, em uma de suas acepções, é uma “permissão”; “conceder” é a “ação de aceitar algo como válido”. Substituindo na frase (1) a conjunção, o exemplo ficaria assim redigido: (2) “Demorei a chegar, embora o trânsito estivesse carregado.” Ora, com o trânsito carregado, o normal seria a demora. Por isso, a conjunção “embora” não faz sentido nesse contexto. Seu uso seria correto se a pessoa tivesse demorado a chegar, mesmo com trânsito flu...